O comércio informal no Fórum Social Brasileiro

As mais diversas atividades informais podem ser encontradas no campus da Universidade Federal de Pernambuco, local onde se realiza o II Fórum Social Brasileiro (FSB). Barracas e tendas fornecem, além de conhecimento, algo intrínseco à experiência do evento, alimentos e artesanatos.
Embaixo da mangueira, próxima ao Centro de Artes e Comunicação (CAC), pode- se encontrar o arquiteto, por formação, e artesão, por prazer, Alexandre Santiago. Ele veio ao Fórum para incrementar as receitas que obtém com a venda de jóias, feitas a mão, expostas nos finais de semana, na Rua do Bom Jesus. Segundo o artista, as peças variam de R$ 10 à R$ 50 e o movimento tem se mostrado bom. "Tenho vendido bem, até melhor, em comparação, aos sábados e domingos", falou.
Mais adiante, o estudante Joni Santana ajuda no orçamento familiar. Ele vende, com um carrinho, s
anduíches e bebidas. O lucro superou as expectativas do garoto. “Nunca vendi tanto. Ontem, não levei nada para casa”, comentou. O Movimento dos Sem-Terra (MST), por sua vez, trouxe para levantar fundos, alimentos e artesanatos direto dos assentamentos. Pode-se encontrar na tenda da entidade frutas, verduras, doces, bijuterias e acessórios.
Conhecimento: o que o dinheiro não compra
As trocas no FSB não, unicamente, se dão nos moldes tradicionais do mercado. Existe, claro, moeda, mas o capital cultural está inserido e tem grande valia.
Durante uma venda e outra se tem muitas discussões. Mesmo não participando do Fórum ativamente, os comerciantes lêem o material circulante e debatem com seus compradores. Esse é o caso do artesão já citado. Alexandre disse ter uma boa experiência, ontem, com estudantes de História que estavam a ver suas peças. “Falamos sobre a dimensão histórica do racismo no Brasil e como hoje ele se configura”, afirmou.

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