A dimensão moral e ética no jornalismo brasileiro (uma inversão de valores)

Por Ivo Henrique Dantas
Moral e ética. Dois aspectos diretamente correlacionados e constantemente estudados desde os primórdios da filosofia. Porém, mais que conceitos filosóficos, esses temas são aspectos que dizem respeito à estrutura de organização da sociedade e ao convívio social. Como conseqüência da importância no meio social, moral e ética são temas centrais das discussões que permeiam o universo jornalístico. Tanto teórico, quanto prático.
O jornalismo tem, acima de qualquer outro aspecto, que exercer sua função social, ou seja, estar pautado em comunicar sobre fatos de interesse público e que condizem com a verdade. Segundo o art. 6º do Código de Ética, o exercício profissional do jornalismo deve ser de natureza social e com finalidade pública. Todavia, esta não vem sendo a conduta moral assumida pela grande maioria dos jornalistas.
Concessões adquiridas sem o debate aberto com a opinião pública, jogos políticos, revolução tecnológica, e o caráter mercadológico que vem tomando conta dos veículos de comunicação, no Brasil e no mundo. Esta é a base responsável pela formação dos valores morais, imperativos no cenário jornalístico.
Não faltam meios que regulamentem a profissão (o Código de Ética, o Código Penal e a Constituição Federal), contudo, assim como a maioria das leis que contrariam interesses empresariais, não são respeitados.
A principal função do jornalismo, como colocado acima, sofre uma inversão de valores. As notícias, ao invés de estarem pautadas segundo o interesse público, são produzidas tendo como característica principal a satisfação do interesse do público. Essa inversão de valores segue a lógica mercadológica, visto que o interesse do público pode ser influenciado pelos mass media, fazendo com que siga a lógica do capitalismo.

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